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Meus irmãos,

Tudo o que começou adquiriu princípio, e tudo o que foi criado deve terminar. É um axioma inabalável, geralmente aceito, tanto pelos homens espirituais Divinos, temporais, como pelos homens materiais temporais. Mas, como a averiguação é bem diferente, vou vos falar da reintegração das formas, com o auxílio do Eterno.
 Já vimos como o número ternário, 3, é o do corpo, por suas três essências espirituais; o senário, 6, é o de sua divisão, representando aquele dos seis pensamentos que o Criador empregou para a criação universal geral e particular. O número novenário, 9, é o da reintegração. No princípio da produção de um corpo, tal como aquele da formação de uma criança no corpo de sua mãe, esse seminal reprodutivo nos representa no seu primeiro princípio a matéria em sua indiferença, as três essências não tendo ainda nenhuma distinção, e estando em aspecto umas com as outras, sem forma; mas, tão logo elas estejam na matriz, recebem um movimento que parte do grau de fogo que ali se encontra, e que é produzido pela ação dos espíritos do eixo fogo central e dos espíritos elementares que, acionando sobre o veículo da mulher, começam a trabalhar, modificar e distinguir as essências. No momento em que são distinguidas, o embrião toma forma; o que ocorre no fim de 40 dias, por um número de experiências reiteradas, para repetir sempre a toda a posteridade de Adão o pecado de seu primeiro Pai, cometido na quarta hora do dia, para lhe repetir sua penitência de 40 dias, sua reconciliação ao fim de quarenta anos, o que foi repetido por Noé, Abraão, Moisés e definitivamente por nosso Divino Mestre Jesus-Cristo quando jejuou 40 dias sobre a montanha do Tabor. No quadragésimo dia, o espírito menor desce no corpo, ou envoltório, ou na prisão, que acaba de lhe ser feita, e começa, desde este instante, a experimentar um sofrimento, porque a maior pena que um espírito possa sentir é a de estar limitado em sua ação. Consideremos um momento a posição desse ser. Ele tem os dois punhos apoiados sobre os olhos; envolvido no âmnio (a mais interna das membranas que envolvem o feto), nada em um fluído de corrupção, privado do uso de todos os seus sentidos espirituais, Divinos e corporais; ele recebe o alimento pelos abismos de sua forma, submetido a uma tão grande privação que ele não se agarra à vida senão por aquela de um ser quase tão fraco quanto ele; que ele participa de todas as suas penas, seus sofrimentos e seus males. Oh! Crime de nosso primeiro Pai! Eis o justo castigo que tu mereces. A justiça do Eterno submeteu toda a posteridade de Adão a passar pelas mesmas vias.

Consideremos aqui, meus irmãos, que o ser espiritual Divino que está no corpo da mulher está encerrado sob três véus espessos: o primeiro, sua própria forma; o segundo, aquele de sua mãe; e o terceiro, aquele do universo. No momento que sai do corpo de sua mãe, ele não está preso senão a dois véus: aquele de sua forma e o do universo; e, no instante que faz a sua feliz reintegração, não lhe resta mais senão aquele do círculo universal. Eis um belo ternário: o menor, no corpo de sua mãe, 1; o menor neste universo, 2; e o menor reintegrado, 3; o que prova ainda a feitura deste universo, ou os seis pensamentos, pela adição destes três números que dão 6. Em seu primeiro princípio, Adão, revestido de sua forma gloriosa, dominava acima de todo este universo, sem estar subjugado. Por seu crime, mergulhou toda a sua posteridade abaixo da escada que ela ficou obrigada a ascender.

O número novenário, 9, é o da reintegração e da destruição, porque subdivide as três essências que, em seu princípio, não continham senão um número ternário por sua união: mercúrio, enxofre e sal, 3. Mas como na parte mercurial existe um misto, visto que tudo o que tem forma é misto, na parte mercurial se encontram enxofre e sal, 3; na parte sulfurosa se encontram sal e mercúrio, 3; e na parte do sal se encontram enxofre e mercúrio, 3/9. O que os faz denominar mercúrio, enxofre e sal, é que essas três partes dominam em cada um desses mistos; mas, no instante em que o homem alcança, degrau por degrau, a sua formação perfeita, ele organiza e aperfeiçoa o que se pode denominar vegetação; ele começa a sua reintegração, insensível, antes de tudo como tinha sido sua formação, até o momento em que, enfim, começa a sua reintegração inteira pela dissolução ou a divisão das essências.

No primeiro princípio, o germe contendo as três essências dá início à produção da forma. No momento em que o homem nasce, os alimentos das três essências, 3, lhe dão a vida, e todo o tempo de sua duração aqui em baixo. Mas, assim que as três essências cessam a sua produção e a vegetação, elas começam a sua reintegração, 3, subdividindo-se, isto significa que sua união no primeiro princípio determinou sua produção, sua divisão pela parte alimentar originou a sua vegetação, sua subdivisão produziu sua reintegração, porque nenhum corpo dos três reinos, vegetal, mineral e animal, pode subsistir sem estar, todo o tempo que tem forma, em um desses três estados de produção, vegetação e reintegração.

Entrarei agora na demonstração da reintegração. No momento em que o veículo eixo fogo central, que formava a vida da forma, residindo no sangue e tendo a sua fonte no coração (da qual se dará a demonstração anatômica na seqüência), fez a sua reintegração, desde então, a forma começa a sua reintegração pelo que segue:

A forma do homem contém o germe de uma turba de animais répteis ou de insetos que começam o seu crescimento pelo trabalho de reintegração, que se faz pelo úmido grosseiro do cadáver que, por seu movimento, trava combate nos ovários dos animais rastejantes que existem no cadáver. Os espíritos elementares, agentes das formas conjuntamente com o fogo terrestre, ou do corpo geral, batendo seus fogos espirituais, entrechocam os ovários desses répteis, e, por sua reação, descobrem o envoltório ovário que os mantinha contidos. Esses insetos possuindo existência em cada uma das três essências, mercúrio, 1, enxofre, 1, e sal, 1/3, e contendo em si mesmos essas três essências – aqueles que viveram na parte do mercúrio, 3, aqueles que viveram na parte do sangue, 3, aqueles que viveram na parte do sal, 3. A reintegração desses insetos dá a cessação de toda a espécie de aparência da forma do cadáver, o que forma a reintegração perfeita da forma humana. É pouca a diferença de tempo do crescimento, da produção e da reintegração desses insetos que chegam aproximadamente à duração da reintegração da forma humana, o que prova que o número 9, ou novenário, é o da reintegração.

Observemos aqui, meus irmãos, a analogia que o corpo do homem, denominado “pequeno mundo” tem, com razão, com o universo. Como o universo, ele contém 3 partes: o universal, o geral e o particular; a imagem do universal pelo número inumerável de fibras que formam sua parte cartilaginosa e que não é possível calcular, senão enumerando os espíritos do eixo fogo central; o geral, ou a terra, como ela, ele é triangular. Como ela, ele dá a vida a três gêneros de seres de forma, como acabado de demonstrar, o que nos representa os três reinos, vegetal, mineral e animal; como ele, enfim, contém o particular pelo número inumerável de pequenos vasos capilares sangüíneos, não mais sendo possível de enumerar esses pequenos vasos senão enumerando as estrelas que compõe o firmamento.

O corpo do homem contém ainda uma correspondência puramente espiritual com o ser menor que ele contém em privação. É que ele (corpo do homem) representa aos olhos da forma todo o físico espiritual que se opera sobre a alma espiritual Divina eterna. Observando-se bem a um, ver-se-á que é o protótipo do outro: a alma, como o corpo, tem a necessidade de alimento de sua natureza Divina; esse alimento, tomado com moderação, a mantém à vida, como o corpo; o alimento envenenado lhe dá, como ao corpo a morte da privação; ela tem suas doenças como ele, mas não é jamais afetada por aquelas do corpo, que, assim como ela, participou, pelo mau uso de seu livre arbítrio da doença do corpo; por meio do qual podemos nos convencer pelos suplícios que tem sofrido os felizes eleitos do Eterno, cuja alma suplícios que tem sofrido os felizes eleitos do Eterno, cuja alma desfrutava da contemplação do Espírito Santo e, em virtude disso, estava nas delícias, no tempo em que se oprimia a forma por todos os suplícios que a malícia demoníaca pode inventar. A alma desses menores, muito longe de participar das dores do corpo não tinha deles nenhum conhecimento.

Aqueles que, tendo cometido qualquer crime, sentindo o justo castigo, não sentem os seus efeitos, ainda que por desígnios bem diferentes em sua alma o suplício do corpo; ao contrário, o suplício que sua alma experimenta é incomparavelmente superior àquele de seu corpo. Nesse estado de justiça, a alma não experimenta senão satisfação, ainda que o corpo sofra e, no estado do justo castigo que segue o crime, a alma sente incomparavelmente dores mais vivas que o corpo; o que faz ver a necessidade do castigo da alma, da pena do corpo e daquela do espírito, para readquirir os conhecimentos que tivemos a infelicidade de perder pelo pecado de nosso primeiro Pai, uma vez que os conhecimentos não são senão a recompensa de nossa resignação de suportar os diferentes sofrimentos aos quais a posteridade de Adão foi muito justamente condenada.

É pela mais santa virtude da paciência que se alcança a feliz reintegração de seu ser espiritual Divino no lugar do repouso, e de sua forma em seu princípio eixo fogo central. Que Deus conceda a todos nós essa graça.

Amém!

Louis Claude de Saint-Martin 

(fonte: site Hermanubis)

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